Mudanças de Padrões de Pensamentos em QSSMA

Acredito que este tema também se aplica a outras dimensões corporativas, porém, pela especialidade, quero focar no tema principal: QSSMA.

Por que é tão complexo indicar um caminho para a qualidade, segurança e meio ambiente?

Enfrentamos muitos desafios no dia a dia e querer provar a nós mesmos e aos outros que somos capazes trata-se de uma questão de sobrevivência para alguns. Portanto, para lidar com desafios que nos levam a péssimas escolhas, temos que aprender algumas operações do nosso cérebro lógico-visual-recompensa e isso irá nos oferecer poderosa ferramenta para conduzir as pessoas às possibilidades que irão além de antigas crenças de limitação pessoal e das tais pobrezas de escolhas.

Então, vamos aprender com os recursos internos disponíveis e conduzir pessoas a tomarem melhores decisões?

A INTENÇÃO de quem quer algo tem que gerar a atenção e compreensão de alguém, para gerar uma ação e, respectivamente, a OBTENÇÃO. Para isto, a conexão e o foco positivo são importantes, para que a interpretação seja de maior RECOMPENSA do que AMEAÇA.

Comumente vemos, em QSSMA, a dúvida de um operador/colaborador executar o que se é pedido em procedimento por vários motivos. Quais seriam estes motivos?

Importante entendermos o porquê destas tomadas de decisão e trabalhar na causa. Muitos programas comportamentais em Saúde, Segurança e Qualidade começam com a imposição da alta direção (conceito: TOP/DOWN). É uma fórmula que eu entendo ser antiga para imposição do que a corporação realmente quer dos seus colaboradores. Esquece-se, neste conceito, de princípios básicos agora estudados por alguns cientistas e já aceitos por fundamentalistas: A organização e tomadas de decisões orientadas pelo nosso cérebro.

Teoria do Cérebro Trino

O neurocientista Paul MacLean desenvolveu uma teoria evolucionista que, de forma mais simplista e para entendimento rápido, divide o cérebro humano em três unidades funcionais diferentes. Chamada de “TEORIA DO CÉREBRO TRINO”, o cérebro humano está dividido em três formando um cérebro só.

1.

Na parte inferior, o Cérebro Reticular (Reptiliano). É a menor parte do cérebro humano e é responsável pelas funções básicas e essenciais do nosso corpo, como controle do sono, digestão, batidas cardíacas, equilíbrio do movimento, medo, raiva e instinto de sobrevivência, sendo ações mecânicas e involuntárias do nosso instinto. Assim, pelo fato de o cérebro reptiliano estar principalmente relacionado à sobrevivência, os COMPORTAMENTOS governados por ele têm relações com a nossa sobrevivência (que é o estado mais primitivo do ser humano), nos impelindo à luta, a fugir, estabelecer território, reprodução e dominância social.

Em QSSMA, vemos este tipo de comportamento aflorar quando há reações negativas sob determinados aspectos: perseguições sobre indivíduos e reações de raiva que geraram alguma perda (indicadores, visibilidade, negação, inviabilidade…).

2.

A segunda parte a evoluir no cérebro humano foi o Sistema Límbico – Emocional, característico nos mamíferos, compreende o centro primário da emoção e é responsável pela proteção, emoções e sentimentos. Ele converte as informações em memória de longo prazo e na recuperação da memória de curto prazo. A repetição no hipocampo aumenta o armazenamento de memória e faz com que algumas ações se tornem hábitos. O sistema límbico também está envolvido em atividades primárias relacionadas à comida e ao sexo e, essencialmente, se orienta para a sobrevivência, própria e do grupo.

Em QSSMA, podemos ver o uso deste estado quando protegemos um desvio, acobertamos erros por afinidade a alguém, descumprimos regras por alinharmos a uma decisão superior, quando trabalhamos efeitos relacionados à família do indivíduo e com as suas emoções. Por exemplo, trazer família para falar sobre algo de QSSMA, criar sinergias e ações em grupo (para união e unificação para continuidade dos negócios), Missão, Visão e Valores…

3.

A terceira parte é o Cérebro Neocórtex – Homo Sapiens, que é a parte que mais se desenvolveu em tamanho no ser humano e que as vezes é a menos usada. É o que nos distingue dos outros animais. Para nós, é a parte do cérebro que traz a consciência e um raciocínio lógico. Nos dá o poder da argumentação e, com isto, a denominação de ser superior e de intervenção nos ecossistemas sociais. É responsável pela linguagem falada e escrita, assim como pelos movimentos voluntários, inteligência emocional, reflexão antes da ação, tomada de decisão consciente, imaginação, informações e processamento clássico das informações sensoriais.

Em QSSMA, vemos o uso desta parte do cérebro quando não reagimos e sim encontramos soluções aplicadas ao modelo de negócio. Compartilhando com os colaboradores as ações que serão tomadas, criando EMPATIA (capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela) e buscando sustentáveis.

Conclusão

Considerando estas características expostas, alguns cientistas envolvidos em QSSMA (como Hollnagel e Woods) e fazendo analogia com “AS 5 IDADES DA SEGURANÇA” (Gravity Gold Conference 2010), conseguimos concluir o seguinte:

  • Programas de QSSMA não podem ser unicamente TOP/DOWN (pois há sentimentos de que não há envolvimento coletivo na tomada de decisão). Após uma INTENÇÃO, tem-se ações (pensando no Cérebro Trino dos colaboradores) que gerarão ATENÇÃO e AÇÃO com a OBTENÇÃO (foco maior para os significados da RECOMPENSA E AMEAÇA);
  • Que dificilmente haverá programas prontos (de prateleiras);
  • Que todos que exercem papéis de líderes podem criar internamente programas eficazes baseados em características próprias de suas companhias;
  • Para desenvolvimento interno, não podem ser esquecidos:
    • Quais os modelos de informação conhecidos e que deram certo;
    • Qual o modelo de aprendizagem organizacional;
    • Estratégia de comunicação (desejada e percebida);
    • Comprometimento e envolvimento das equipes;
    • Autorresponsabilidade;
    • Confiança percebida (o que falo, faço), entendendo que as regras foram criadas para organizar padrões e descumpri-las passa a ser o mesmo que provocar um movimento GRAVÍSSIMO não aceito no ambiente de trabalho.
  • Pressupostos básicos:
    • TODOS têm experiências e viveram experiências que podem ser diferentes em um grupo;
    • TODOS têm as ferramentas que precisam para se desenvolverem em busca de um resultado vencedor e extraordinário. Basta saber como organizar as ferramentas para estarem disponíveis no momento certo;
    • TODOS tomarão as melhores decisões com os recursos que tem. Se não ajudar a ter mais ferramentas, não há como cobrar resultados sustentáveis;
    • MUDANÇAS são inevitáveis;
    • NINGUÉM muda NINGUÉM, mas NINGUÉM muda sozinho…

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Luciano Machado

Eng. de Segurança do Trabalho especializado em coaching evolutivo e programas comportamentais.

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